literatura

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terça-feira, 14 de junho de 2011

GLAUCO MATTOSO

BORZEGUINS AO LEITO
Na boca da avenida, bem no centro da cidade,
lá vem ela com pinta de estudante calourinha.
Não sei de que colégio, que cursinho ou faculdade,
só sei que o que eu queria é que ela fosse aluna minha.
O cabelinho dela é uma tentação pro trote:
levinho, liso e loiro, escorrendo no decote.
E o que me põe mais bobo, mais doido, mais tonto nela
é aquele tênis preto amarrado na canela.

Franjinha sobre o óculos, boquinha de chiclete,
nariz arrebitado, saia acima do joelho.
Deve ter mais de vinte e aparenta dezessete.
Se ela é coelhinha, eu queria ser coelho.
A cinturinha dela parece de tanajura,
de olhar já dá formigamento na musculatura.
Mas o que deixa ouriçadíssimo este magricela
é aquele tênis preto amarrado na canela.

Eu fico só pensando nela sem aquela blusa:
mamãe me amamentando e eu encolhido no colo.
Sem saia deve ser alguma coisa tão confusa
que nem Serra Pelada com metrô no subsolo.
Nua de corpo inteiro é uma fotografia aérea
da Via Anchieta atravessando a Sibéria...
Só tem mesmo uma coisa que eu não tirava dela:
é aquele tênis preto amarrado na canela.

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